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Os Engenhos Centrais
A constução dos Engenhos Centrais está fundamentada em uma série de fatores inerentes ao cenáriomundial do final do século 18. No entanto, sua criação foi favorecida principalmente pela valorização do açucar brasileiro em virtude da desarticulação da produção açucareira nas Antilhas. Com a alta de preços e a ampliação dos mercados mundiais, o Brasil teve sua produção incentivada, refletindo-se nas províncias produtoras.
É o renascimento dos engenhos e o início da reação da economia paulista. Em função disso o parlamento brasileiro designou, em 1875, uma Comissão Especial para proceder um levantamento sobre a cultura da cana-de-açucar no país, concluindo que era necessário estimular,desenvolver e modernizar a nossa indústria açucareira. Em novembro daquele mesmo ano foi promulgada a lei Geral no Brasil nº2.687, dando incentivos às Companias que estabelecessem Engenhos Centrais para fabricar açucar de cana mediante o emprego de aparelhos e processos modernos mais aperfeiçoados. Com os Engenhos Centrais iniciava-se a revolução industrial do açucar no Brasil, promovendo a utilização de estradas de ferro, a substituição do transporteanimal pelo vapor. Nesles era proibida a utilização de mão-de-obra escrava, fator que favoreceu a imigração, principalmente a italiana. No total foram estabelecidos 3 Engenhos Centrais em todo o território brasileiro, sendo um deles em Piracicaba.
O Engenho Central de Piracicaba O Engenho Central de Piracicaba foi fundado em janeiro de 1881 pelo Dr. Estevão Ribeiro de Souza Rezende, o Barão de Rezende, que liderava um grupo de empresários piracicabanos e cedeu para a formação da companhia, parte de sua fazenda denominada São Pedro, localizada à margem direita do rio Piracicaba. Em 18 de novembro de 1881, chegou da França a primeira remessa de maquinaria, tendo início a montagem. Erm outubro de 1882 suas máquinas foram acionadas. A iniciativa dos Engenhos Centrais era arrojada demais para a economia do Brasil e as más condições de mercado, insuficiência de matéria-prima, manutenção e substituição de máquinas e equipamentos, mão-de-obra, somadas ao fato de haverem pequenos engenhos sog regime de escravidão levaram à falência do projeto. Após este período que marcou o final do século 19, entramos na primeira década do século 20 com praticamente o fim e o abandono do processo "Engenhos Centrais " no Brasil.
Na tentativa de salvar seu investimento, Barão de Rezende tentou reativar o Engenho Central de Piracicaba com o nome de Companhia Niágara Paulista, mas foi obrigado a vendê-la para a empresa francesa Societé de Sucrérie Brèsiliennes, em julho de 1899, que se tornou a maior Usina do Estado em produção, sendo incorporada a outras seis para formar a Societé de Sucrérie Brèsiliennes, transformando-se na mais importante do país, com produção anual de cem mil sacas de açucar e três milhoes de litros de àlcool. De Símbolo Econônico a Patrimônio Histórico Em 1914, a primeira Grande Guerra Mundial estimulou o mercado internacional do açucar, promovendo a reação do Brasil e o consequente aumento de produção no município de Piracicaba. Nessa época, a região de Piracicaba tinha o cultivo do café como a principal riqueza mas, devido à crise econômica da cultura do café em 1929, as plantações de cana- de-açucar voltaram a se espalhar pelo Estado de São Paulo, tendo Piracicaba como um dos principais municípios produtores. Nesse período, a produção das duas usinas existentes no município, o Engenho
Central e a Usina Monte Alegre, passou de 1,5 toneladas em 1928 para 1,8 toneladas de açucar no ano de 1932.
Esse crescimento foi limitado pela criação do IAA- Instituto do Açucar e do Àlcool, que estimulou a produção do àlcool. A partir da década de 30, muitos engenhos existentes na região desapareceram ou foram emcampados pelas usinas. Apesar de sucessivas crises, o Engenho Central ainda foi ampliado nas décadas de 40 e 50, pois o açucar continuou a exercer papel preponderante na economia piracicabana: na década de 50, representava 52% do valor total da produção agrícola; dez anos mais tarde essa participação chegou a 75%.
A crescente urbanização da Vila Rezende, onde o Engenho se encontra, e da cidade como um todo acabou por dificultar as atividades operacionais do Engenho Central. Em novembro de 1970 foi vendido para as Usinas Brasileiras de Açucar S/A - Ubasa, que o manteve em funcionamento até 1974, quando foi desativado radicalmente. Posteriormente, quase a totalidade das fazendas que compunham a propriedade foi loteada e vendida através de um empreendimento chamado "Terra do Engenho", restando na época, mediante acordo com a Prefeitura, apenas o local onde está implantado o Engenho Central.
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